Os búfalos são animais dóceis e do leite bubalino cria-se um dos queijos mais nobres do mundo: a mozzarella de búfala. O Brasil possui hoje o maior rebanho do Ocidente, mas pouca gente sabe disso. São 3 milhões de cabeças. Um número impressionante. Mas você sabe como este animal imponente, originário da Índia, chegou ao Brasil? Conheça a história destes animais no país e como as quatro raças se estabeleceram em nosso território entre o final do século IXX e decorrer do século XX.
A primeira introdução de búfalos no Brasil, realizada em 1890 pelo Dr. Vicente Chermont de Miranda, consistiu na compra de búfalos da raça Carabao para a Ilha de Marajó, pertencentes a fugitivos provenientes da Guyana Francesa, que naufragaram nas costas da Ilha. Em 1895, a Sra. Leopoldina Lobato de Miranda e seus filhos em Marajó, realizaram uma importação de búfalos italianos. Ambas introduções deram origem ao búfalo negro de Marajó.
Em 1919-1920, criadores do Estado de Minas Gerais, principalmente o Sr. Antenor Machado de Azevedo, adquiriu casais de búfalos procedentes de Ahmedabad y Bombay (India); e Francisco Matarazzo importou vários búfalos italianos. Dessas reproduções descende grande parte da população bubalina do Centro-Sul do Brasil, principalmente Minas Gerais e São Paulo.
Em 1945, Aldo Barretta trouxe da Itália um macho e 25 fêmeas da raça Mediterrânea. Em 1961, mais criadores importaram búfalos da Índia, em pequena quantidade das raças Murrah e Jafarabadi. Essas raças começaram a se expandir em cruzamentos com a raça Mediterrânea.
Se definiram assim quatro raças no Brasil: Mediterrânea, Murrah, Jafarabadi e Carabao. Dessas raças, as três primeiramente citadas são chamadas de búfalos pretos. A última também é chamada de búfalo rosilho. O livro de registro genealógico das raças de búfalos, por delegação do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) foi criado pela Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) em 1962 e implementado a partir de 1970. A partir dessa data, foram registrados mais de 90 mil animais.
Dentro da raça mediterrânea que era a mais numerosa, nos anos de 1970, podia-se notar diferenças em exposições de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, quando se podia notar alguns mestiços com as raças Jafarabadi e Murrah. Já as exposições na região amazônica, apresentavam mais indivíduos da raça Mediterrânea, por vezes cruzados com a raça Carabao.
Depois da importação de oito búfalos puros de pedigree da raça mediterrânea, oriundos da Itália, em 1989, realizada por criadores do Rio Grande do Sul, da Bahia e de São Paulo, esta raça se definiu bem em todo país. No fim do século XX, foram importados sêmens italianos das raças mediterrânea e murrah.
Dentro da raça jafarabadi é possível ver duas variedades. Uma de ossos mais pesados e de maior tamanho e outra mais leve e de menor tamanho. A raça murrah é a que tem maior demanda atualmente no Brasil e é a que tem mais crescido nos últimos 30 anos. Atualmente a raça murrah supera a população de mediterrânea, sobretudo no que se refere a animais puros.
Como são animais de criação fácil, rústicos, mais resistentes a doenças, muitos criadores estão aderindo à criação bubalina e o rebanho aumenta ano a ano. Mas, curiosamente, embora sejam 3 milhões de cabeças espalhadas em território nacional, isso representa apenas 1,4% do rebanho bovino, que possui 212 milhões de cabeças.
Fonte: El Búfalo Doméstico (Marco Zava) 2011. Dados atualizados pela ABCB.